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"Não há política sem metapolítica"

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.02.10

Uma voz inspirada, que já aqui veio diversas vezes, de Sobre o Tempo Que Passa, que nos traz as memórias e nos permite fazer a ponte cultural para as gerações seguintes. Há uma poesia implícita nesta voz, anterior ao plano científico. É um misto de poesia-ciência, a tentar compreender este percurso atribulado que é o percurso de um país: as narrativas ocultas e o papel dos cidadãos nesse percurso. E o papel que podem ainda desempenhar.

Agora também no Albergue Espanhol, este magnífico e emotivo post, Não há política sem metapolítica:

 

 

  Eu que, há poucos meses, peregrinei, com a Ana, pela ilha do Corvo, sentindo, num pequeno barco de borracha, o declive do mar, a partir das Flores, sei que os problemas financeiros apenas se resolvem com medidas financeiras, mas não apenas com medidas financeiras. A pátria, enquanto o principal mobilizador do bem comum, não é captável pelas agências de "rating" e constitui a principal mais valia porque é comunidade de coisas que se amam, coisa que nenhum despacho do despotismo ministerial pode decretar. E a maneira de madeirenses e açorianos acederem à república maior das liberdades nacionais exige compreensão pela aventura atlântica de resistência insular. A pátria não se mede pelas coisas fungíveis e não se explica apenas por orçamentos e balanços. Um povo é uma comunidade de significações partilhadas e os homens comuns sentem que o valor mais alto é esta solidariedade sentida depois de uma tragédia que baralhou todas as lógicas merceeiras que nos amarfanhavam...

 

Julgo que as boas intenções dos que pretendiam transformar as finanças das regiões autónomas num exemplo de tratamento de choque revelaram a tacanhez infernal dos que não compreendem que as pátrias e, dentro delas, as regiões autónomas que não se fizeram por decreto do estadão ou por despachos mercantilistas de ministros, mas pela vontade dos povos, são metapolítica. As pátrias, enquanto repúblicas maiores, são sempre um laço de amor, desde a terra, donde olhamos o mais além, aos próprios mortos que a transformam em memória e saudades de futuro. E ai da política se não resistir na procura do que vai além da física do poder. Não há salvação financeira sem patriotismo e não há patriotismo sem saudável regionalismo! Agradeço aos amigos da blogosfera, nossa casa comum, a solidariedade manifestada, nesta hora de dor pessoal e familiar.  "

 

 

 

publicado às 12:18

"Rangel contra 3" e "Extinção das golden shares e Regulação"

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.02.10

Esta recente descoberta foi via outros blogues. O seu nome é quase impronunciável, Suction with Valche©k, e nem sei bem como enviar o convite e que tipo de bebida lhes vou servir na esplanada. Bem, na esplanada já não poderá ser, que está toda alagada da chuvada e granizo desta tarde.

Além disso, a tristeza também passou por aqui, ao ver as imagens da ilha florida coberta de lama e de troncos. A imaginar o trauma das pessoas, surpreendidas pelo inconcebível. E as populações indefesas, a abandonar as casas. As imagens também transmitiram a enorme coragem das pessoas, como reagem e se entreajudam, como passam a energia para a acção. Em breve a ilha irá amanhecer de novo florida, o luto feito, a dor transformada.

 

Voltando a este blogue, que é uma verdadeira voz dissonante, quase impertinente de tão dissonante, porque até resolve responder ponto por ponto aos bloggers que criticam tudo o que Paulo Rangel  diz. É verdade, o hobby actual da generalidade dos bloggers é esmiuçar tudo o que Paulo Rangel diz. Não deixa de ser um bom sinal, mas já vi exageros de malvadez. Adiante:

 

Pois o Suction with Valche©kmostra-nos aqui quem são actualmente os principais adversários de Rangel, e esmiuça a tal polémica das golden shares e da Regulação, de que retirei uma parte, só para provocar, amigavelmente claro.

 

Sobre os adversários, Rangel contra 3:

 

"  Não, não apareceu mais um candidato a líder do PSD. Mas a atitude hostil do PS contra Paulo Rangel, se já era evidente, passou a assumida.
Reparem: o PS reuniu ontem o seu órgão máximo (o Secretariado Nacional) para discutir os dois temas que preocupam os socialistas por estes dias:
 


Tema 1:


Os «ataques que têm sido dirigidos ao primeiro-ministro".

 

Tema 2:

 

O futuro do maior partido da oposição: (sic) "analisar o "perigo" que a nova liderança do PSD pode trazer para a governabilidade do País [....] Duarte Cordeiro assume que o assunto será discutido no SN, uma vez que acredita que "se Paulo Rangel for líder do PSD será um perigo. A situação será muito mais complicada, porque o partido será irresponsável e pode colocar a governabilidade em causa"
Suponho que toda esta activa preocupação do PS sejam boas notícias para os militantes do PSD e imagino que a inconfidência do deputado Duarte Cordeiro tenha sido repreendida com dureza.

por Duarte   "

 

E da Extinção das golden shares e Regulação:


" (...) Um liberal puro talvez discorde de toda e qualquer fórmula de regulação, mesmo a que se reduza a evitar rupturas de mercado, a assegurar a concorrência e defesa dos consumidores. Um liberal puro pode achar que o livre funcionamento do mercado resolve todos estes problemas ou que nenhum destes aspectos merece preocupação e discordar de Rangel por não renunciar também a esse nível mínimo de intervenção. Mas essa discordância ideológica não legitima uma deturpação do que foi dito. João Miranda pode discordar, mas não pode adulterar as declarações de Paulo Rangel ao DN, imputando-lhe a intenção de se servir de autoridades reguladoras para subverter o mercado impedindo a entrada de empresas estrangeiras e impondo às empresas nacionais comportamentos no estrangeiro que favoreçam os "interesses nacionais".

Gostava, aliás, de saber como se faria isso de impor às empresas nacionais comportamentos no estrangeiro que favoreçam os "interesses nacionais" ?  "

 

 

Finalmente, a Missão Cumprida. Também para mim, por hoje, nesta recolha de vozes dissonantes.

 

 

publicado às 21:10


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